Todo dia eu caio do 2º andar
e como torradas sem recheio que me machucam o céu da boca
e água gelada que machuca o estômago
e encaro o sol que cega os olhos e fode todo o meu corpo com uma promessa de um câncer
só meu.
Todo dia encaro covardemente o único raio fraco e solitário que vence o metal quente,
as paredes mofadas,
e reconforta o solo úmido
e o cheiro de merda e mijo sempre me enoja.
Todo dia o sol que insiste em ser o horizonte independente da direção,
e me cega até pra passagem do tempo.
e me cega até pra passagem do tempo.
E vejo sua beleza pueril em seu insistente reflexo
em todos os valões por onde passo.
Todo dia depois que o sol se retira eu me revisto de belezas lisas
ideais maciços
e texturas macias
E sempre acabo cuspindo à bile conhecimentos
que não só não são meus,
mas que não me aceitam.
Todo dia quando já fui cegado pelo sol desejo amar amantes
e sentir lhe sentimentos como quem cultiva belas formas de plantas
lindas e controláveis
E quando acordo vejo a ressaca do desejo,
suor, sêmen e merda num plástico
e um lenço meio comido por formigas.
Todo dia caio do 2º andar e o cheiro acre que o sol me causa salva minha vida.
O sol salva a minha vida.
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